“Uma história de Amor e Fúria”, um filme de Luiz Bolognesi

Uma História de Amor e Fúria é fruto do desejo e prazer pelo o que se faz, acreditar nas possibilidades e no talento dos profissionais envolvidos. Na última quarta feira estivemos na exibição do longa metragem em animação no Shopping Frei Caneca. Logo após houve uma conversa com a platéia com o roteirista e diretor do filme, Luiz Bolognesi, o produtor Caio Gullane e o historiador Dr. Pedro Puntoni. A MAQUINNA teve o privilégio de participar deste momento em que consideramos histórico para o cinema brasileiro. Veja por quê.

Caio Gullane, Luiz Bolognesi
Caio Gullane, Luiz Bolognesi

Com uma estética peculiar, o filme é uma animação para jovens e adultos, diferente do que é produzido no país, quando normalmente são direcionados para o público infantil. A estética utilizada de referência foram as graphic novels e a técnica é clássica, ou seja, papel e lápis direto! Isto obviamente consome muito mais tempo do que a animação digital, mas permite uma linguagem peculiar à animação. A história leva o espectador a um voo rasante por alguns momentos marcantes do passado do nosso país. Uma história de amor, do herói indígena imortal que vive 600 anos (dublado por Selton Mello) na forma de pássaro procurando Janaína, Janaina (dublado por Camila Pitanga), sua paixão que reencarna ao longo de quatro histórias brasileiras marcantes. Além do processo de reconquistá-la toda vez que ela reencarna, o herói (que assume nomes diferentes quanto retorna a forma humana) participa de momentos de fúria da história brasileira. E, este contexto também é outro diferencial, visto que poucas produções audiovisuais recorrem à história do país para contarem histórias.

O apelo é social, já que o herói representa o ponto de vista dos oprimidos, que não estão retratados nos livros de história e não são homenageados. Inicialmente, mostra uma guerra entre os tupinambás, aliados aos franceses e os tupiniquins, aliados ao portugueses. A tribo tupinambá é dizimada e a cidade do Rio de Janeiro é criada onde antes ficava a sua tribo, no Aterro do Flamengo. Depois, vivenciamos a história de Balaio e a Balaiada, do qual a polícia abusava de negros livres, causando uma rebelião e a supremacia do Duque de Caxias, que massacrou os negros. Partimos então para um contexto mais próximo, na ditadura de 1968, com estudantes enfrentando a polícia e cenas fortes de tortura. Aproveitando que é uma animação e não existem limites para a criação, a próxima e última etapa do filme é no futuro. No ano de 2026 com um sério problema de abastecimento de água potável. A opressão continua, não mais pela igreja, pela polícia ou pelo governo, mas pelas grandes corporações.

Luiz Bolognesi é responsável por roteiros de filmes que marcaram o cinema nacional, todos até então dirigidos por sua esposa Lais Bodanzky: “Bicho de Sete Cabeças” (2001), “Chega de Saudade” (2008) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). Segundo ele, foram necessários 10 anos de dedicação para se conceber o filme. Ele relatou que, ao escrever e dirigir um filme ao mesmo tempo, é difícil ter uma análise crítica de suas próprias ideias, pelo fato da não haver outro profissional analisando. Por isto, o processo de produção deste longa foi realizado em equipe, do qual os responsáveis de todas as áreas participavam e opinavam, por meio de reuniões para trocas de idéias levando em consideração aspectos psicológicos, filosóficos e emocionais de cada. Tanto que Luiz credita a cena final à sua equipe, pois a sua versão do roteiro não estava agradando a equipe.

O produtor Caio Gullane relatou um pouco sobre as dificuldades em se obter os benefícios oferecidos pelas leis de incentivo e também do desafio em se produzir um longa metragem em animação genuinamente brasileiro, quebrando o paradigma de animações para o público infantil. E do contexto da história que retrata um lado pouco conhecido pela maioria dos brasileiros. Gullane citou a concorrência desleal que o cinema brasileiro sofre em relação aos filmes norte americanos, que invadem nossas salas de cinema por todo o país. Mas, como ele mesmo observa, é uma condição do mercado, principalmente pelo enorme diferença das verbas para os investimentos publicitários.

Veja esta reportagem do iG sobre o filme:

A estreia é dia 05/04, e nós da MAQUINNA recomendamos!

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